23 de agosto de 2007

Brasileirinho


Depois de Moro no Brasil, o finlandês e "quase brasileiro", Mika Kaurismäki apresenta em Brasileirinho mais um documentário sobre a música do nosso país.

Desta vez, porém, foca suas lentes no choro, o dificílimo gênero musical, considerado o primeiro genuinamente popular/urbano típico do Brasil, que ele havia deixado de lado em seu filme anterior, mais centrado no samba. Aliás, foi justamente essa ausência que motivou a execução do documentário. Durante uma exibição de Moro no Brasil na Suiça, Kaurismäki foi confrontado por Marco Forster, fã do gênero, que questionou a exclusão do choro. Esperto, o finlandês escorregou - disse que o ritmo é tão importante que merecia um filme próprio. E Forster ofereceu-se para produzi-lo, o que acabou dando certo.

Diferente do que fez Wim Wenders em Buena Vista Social Club, por exemplo, filme que apressados teimam em comparar a Brasileirinho, Kaurismäki não está interessado nos exoticismos brasileiros. Seu filme é sobre a música, não sobre os músicos. Não há aprofundamentos de personagem - não sabemos como vivem os que ali são retratados - mas sabemos como, e onde, tocam.

A opção é louvável, pois tira do filme a aura "for export" que fatalmente ele teria se esmiuçasse as vidas do retratados - os "brasileiros sofredores". O que se vê em Brasileirinho são apaixonados pela música e pelo estilo de vida do choro. Por outro lado, um pouco de atenção ao entorno não faria mal. Ok, o cineasta usa as belas paisagens do Rio de Janeiro como cenários para entrevistas e rodas de choro, mas faltou mostrar um pouco dos bares, das agremiações onde a música ganhou força - e segue firme. Também faltou um pouca da cultura do gênero - especialmente a da bebida, que aparece em praticamente todos os quadros, sempre nos cantinhos, ou como influência nos olhos vidrados de um dos músicos, mas jamais é abordada diretamente.

Há uma certa resistência da crítica também pela categorização como documentário, já que a grande maioria das cenas é nitidamente pré-combinada, planejada. Mas devo concordar com o próprio diretor, que explica que, sim, as rodas de choro foram montadas para o filme, o grande show ao final idem, mas que todos os depoimentos são espontâneos e não-roteirizados. Novamente, o interesse é exclusivamente a música, que permite grupos de 20, 30 pessoas tocando e improvisando juntas, e sua virtuosa execução. E nesse aspecto, o filme é impecável.

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Pode ser que eu esteja errado por ele ser um documentário nacional, não devo esperar muito ... mas sabe quando você se depara com algo e fica bastante curioso! Pronto e como eu me sinto em relação a esse documentário. Pode ter sido o tema ... ou a matéria ... não sei ... só sei que fui atrás de outras noticias sobre o próprio e me deparei com uma entrevista do diretor, se também tiver curioso basta clicar aqui, se não tudo bem.

Cuspido por ...Raphael e informações Omelete e entrevista Cineminha

4 comentários:

An@Lu disse...

muito bom o blog
vai fundo na crítica e não fica s+o pelos "blockbusters".
Adorei, parabéns!

MaxReinert disse...

.... o mais interessante de tudo é que um cara venha lá da PQP pra olhar pra esse estilo de música exclusivamente brasileiro!!!! Não é loucoo isso????

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Estou participando como finalista do concurso da comunidade do Orkut "Eu Tenho um Blog"... se quiser dar uma passada lá e votar, agradeço!!!! Abraço!
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1787687

Fábio C. Martins disse...

Gostei da idéia de focar o filme somente na música e não nos personagens, em suas vidas e seus problemas. Posso ser muito crítico ao dizer isso, mas já estou de saco cheio de ver filmes que retratam as duras penas que vivemos. Poxa, será que seria demais pedir um filme de puro entretenimento?

Tá, eu sou repetitivo, muitas vezes, mas não me canso de dizer isso.

Abraços

Antonoly Maia disse...

Raphael, eu adoro Cinema, inclusive, de vez em quando, em meu blog, irei postar alguma coisa sobre a Sétima Arte.
Um abraço e adorei seu blog!